UMA PALAVRA SOBRE CIRURGIA PLÁSTICA

Na Índia, em 600 a.C., havia uma pena cruel de amputação do nariz para as mulheres culpadas por adultério e, depois, diversos motivos, muitas vezes o arrependimento do cônjuge, conduziam a um interesse de reconstrução destas lesões. Surge, então, a figura de Sushruta, o primeiro cirurgião plástico de que se tem notícia. Sua técnica de reconstrução nasal, a partir da pele da fronte, é usada até nos tempos atuais.

O cuidado de reconstruir e recuperar a função perdida com apuro estético, acompanha toda trajetória da especialidade. O termo “cirurgião plástico” só surgiu nos EUA no início do século XX provavelmente pela necessidade de cirurgiões especializados em tratamento de lesões complexas. Com o tempo, o domínio das técnicas de transportar tecido a distância através de enxertos e retalhos, e o melhor conhecimento da anatomia corporal fizeram crescer a especialidade, tornando-a, talvez, a que mais abranja áreas de atuação. Contribuíram para isto o aumento do poderio das armas, guerras, os meios de transportes cada vez mais velozes e, até mesmo, a evolução da medicina principalmente no tratamento do câncer e de deformidades congênitas.

A cirurgia plástica atua, portanto, em todos os segmentos do corpo humano, desde o couro cabeludo até a planta do pé, passando pelos membros superiores e inferiores, tórax e abdome; e existem várias subespecialidades como craniomaxilofacial, tumores de pele, queimaduras, feridas e cicatrização patológica, fraturas de face, mastologia, rinologia, cirurgia de mão, deformidades congênitas.

Nos anos trinta, um cirurgião alemão chamado Joseph fez fama com um tipo de técnica cirúrgica muito engenhosa e que permitia alterar a forma nasal com incisões localizadas dentro das narinas. Estava criada a “plástica de nariz” e a cirurgia estética. A urbanização de nossa sociedade, a equalização do papel da mulher em relação ao homem e o crescimento dos meios de comunicação fizeram crescer a preocupação com a imagem.Também é importante o enfoque atual de granjear uma boa saúde e qualidade de vida, já que aquilo que é belo está relacionado com função normal.

Em 1967, em Roma, o cirurgião Paul Tessier apresentou as bases de técnicas cirúrgicas que consistiam em mover segmentos ósseos do crânio. Isto gerou uma revolução na cirurgia craniomaxilofacial, no tratamento de deformidades faciais congênitas complexas e na correção de desproporções faciais através da cirurgia ortognática.

Em 1973, Daniel e Taylor relataram reconstrução através de transporte de partes do corpo para áreas distantes, usando técnica de microssutura de vasos e nervos com fios tão finos que são manuseados por meio de microscópios. Estava criada a microcirurgia que permite as reconstruções complexas e o reimplante de partes amputadas. A microcirurgia possibilitou os recentes relatos de transplante de face.

O século XX acompanhou avanços em escala nunca antes vista na área da física e química. Presenciamos a teoria da relatividade e da física quântica. No século XXI, ao que tudo indica, as grandes descobertas estarão reservadas para área da biologia. A Cirurgia Plástica se beneficiará e muito, principalmente no uso de células troncos. Aguardemos!

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